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29/09/2017 21h49

Câncer de mama: cuidados básicos para o diagnóstico precoce

O ginecologista Cláudio Basbaum fala sobre o passo a passo para a detecção dos primeiros sinais da doença

Terra

Imagens: Divulgção

Dr. Cláudio Basbaum é médico, com especialização na Universidade de Paris, França.(Foto: Divulgação)

O câncer de mama é o tumor mais comum entre as mulheres e representa 25% dos tumores malignos diagnosticados anualmente no Brasil. A cada hora cerca de seis mulheres recebem este temível diagnóstico. No entanto, uma parcela significativa destas mulheres só descobre a doença quando sua progressão já alcançou um estágio avançado e mesmo quando diagnosticada e tratada precocemente, dependendo de várias condições, como o fator genético, quase 1/3 das pacientes evolui para as metástases. 

Esclareço abaixo as principais dúvidas sobre o câncer de mama: 

• Mulheres mais jovens podem apresentar câncer de mama?

Sim. Cada vez se diagnostica com mais frequência e mais precocidade.

• Qual o momento ideal para se fazer o autoexame?

O autoexame não dispensa a necessidade da mamografia, sempre orientada e solicitada por um especialista após cuidadoso exame clínico das mamas.O momento ideal para a autoavaliação das mamas é logo após o final de um fluxo menstrual, fase em que os hormônios ovarianos estão em níveis mais baixos. Para as mulheres que não menstruam, deve-se observar qual o momento em que notaram alterações em uma ou em ambas as mamas e repetir o mesmo tipo de controle com 30 dias de intervalo, observando se persistem as alterações.

• Como deve ser feito o autoexame?

O autoexame deverá sempre ser orientado pelo médico especialista. Em termos gerais, deverá obedecer a um certo "ritual":

1. As mamas deverão estar umedecidas ou melhor ainda, ensaboadas, o que dá uma maior precisão para o reconhecimento de algum eventual "caroço" ou assimetria; Durante o banho fica mais fácil.

2. Elevar o braço do mesmo lado da mama que se pretende examinar, colocando a mão na nuca, com a finalidade de permitir que a mama " se espalhe" sobre o tórax;

3. Com a outra mão, deslizar a palma com suave pressão, desde a base para o centro da mama, em direção ao mamilo, " no sentido dos raios de uma roda";

4. Com a mesma mão, prosseguir em um "alisamento" da mama, fazendo movimentos circulares, girando em torno da mesma, de fora para dentro até a região da aréola mamária.

• O que deve ser observado?

Alterações na forma, mudança de cor, textura e/ou temperatura na pele das mamas, presença de nódulo, superfície com aspecto de "casca de laranja", diferença no tamanho das mamas, surgimentos de sulcos ou depressões em áreas localizadas.

• Todo "caroço" é câncer?

Absolutamente não. Toda alteração visível ou observada pela palpação da mama durante o autoexame deverá ser avaliada com muito critério por um ginecologista ou de preferência por um mastologista.

• Pode ser confundido com uma glândula ou inflamação?

Sim. Como o tecido mamário é muito rico em glândulas, não é incomum o surgimento de nódulos isolados ou múltiplos (lesões benignas chamadas adenomas ou fibroadenomas), sobretudo nos dias que precedem as menstruações.

• O nódulo mamário maligno é dolorido?

Não. Infelizmente, a doença maligna da mama, sobretudo no seu início, não provoca nenhum alerta de dor. Os sintomas dolorosos normalmente só se fazem presentes quando a doença já está muito avançada.

• A liberação de secreção no mamilo é um sinal de alerta?

O aparecimento e a persistência de prurido, feridas, lesões crostosas e secreção (descarga mamilar), especialmente com sangue, são importantes sinais de alerta.

• Quando fazer a mamografia?

A realização de mamografias deverá seguir o protocolo determinado pelas sociedades médicas da especialidade, tanto em relação à faixa etária quanto de acordo com as alterações encontradas no exame clínico especializado e que requeiram um diagnóstico mais preciso. No Brasil, a frequência de câncer de mama em mulheres de 40 / 45 anos é de 25%, razão pela qual tem sido recomendado o início das avaliações das mamas por imagem já a partir dos 40 anos de idade.

• Toda mulher pode fazer o exame ou há algum tipo de impedimento para a realização dele?

Em princípio, não há qualquer restrição da mamografia. Em condições especiais como gravidez e amamentação, mamografias só deverão ser realizadas em casos mais duvidosos e após a mulher ter sido submetida a um primeiro rastreamento por ultrassonografia de alta resolução com Doppler colorido.

• Qual a idade mais comum para o aparecimento do câncer de mama? A partir de que idade a mulher deve fazer o exame mamográfico?

Quando já existir casos da doença na família, sobretudo mãe, irmã, tia ou avó materna, recomenda-se iniciar o controle anual a partir dos 25 anos.

• Com qual periodicidade deve ser realizada a mamografia? 

No Brasil, recomenda-se a realização da mamografia anualmente, e sem limite máximo de idade. 

Dr. Cláudio Basbaum é médico, com especialização na Universidade de Paris, França.

Professor-Doutor em Ginecologia e Obstetrícia, pioneiro da laparoscopia no Brasil (1967), defensor de técnicas menos agressivas à mulher e ao bebê (como o parto de cócoras ou "Parto das Índias"), foi introdutor do Parto Leboyer (o "Nascimento sem Violência") e da técnica Shantala de massagem para bebês no Brasil.

Membro do Corpo Clínico do Hospital e Maternidade São Luiz / Grupo D'Or, em São Paulo, o ginecologista tem 53 anos de profissão e defende a população feminina de cirurgias mutiladoras desnecessárias desde há 21 anos, quando criou a Pró- Matrix (Unidade de Orientação, Preservação e Tratamento da Mulher) e a campanha permanente" Mulheres, Salvem seus Úteros!" (www.claudiobasbaum.med.br).

É pioneiro e introdutor no Brasil de diversas técnicas avançadas em medicina como a laparoscopia (1967), videocirurgia, videolaparoscopia e videohisteroscopia (1988) e a embolização para eliminação dos miomas uterinos (2000), procedimentos mininvasivos de máxima eficácia terapêutica e com um mínimo de trauma e rápida recuperação